terça-feira, 22 de novembro de 2011

Compostagem Biologica


Compostagem Doméstica
e  horta biológica
ÍNDICE
001. Conhecer é a melhor forma de aprender
002. O que é a compostagem?
003. Razões para compostar
004. A compostagem doméstica
005. Compostor
006. Composto
007. O que é a agricultura biológica?
7.1 Razões para manter culturas biológicas
7.2 Consociação de espécies
7.3 Adubos verdes
7.4 Rotação de culturas
008. Faça você mesmo
8.1 Compostagem doméstica
8.2 Horta biológica

Neste caderno poderá encontrar, nas primeiras páginas, explicações sucintas dos processos
naturais que são a compostagem e a horticultura biológica. De seguida, irá encontrar a
sugestão de actividades que podem ser desenvolvidas dentro ou fora da sala de aula.
Este documento não é mais que um ponto de partida no desenvolvimento do tema.
 Não pretende ser um manual único, nem um elemento fechado na sua interpretação. Pretende
sim, abrir novos caminhos, novas pesquisas, novas intuições, que permitam aprender as
melhores técnicas, teóricas e práticas, sobre a temática desenvolvida.
O que é compostagem
A compostagem é um processo natural de decomposição biológica de resíduos orgânicos
que origina um produto estabilizado chamado composto graças à actividade de seres vivos.
O composto possui muitos nutrientes e é facilmente assimilado pelas plantas, é útil na
agricultura, jardinagem, parques públicos, etc.
A compostagem é uma forma de eliminar metade do problema dos Resíduos Sólidos
Urbanos, dando um destino útil aos resíduos orgânicos, evitando a sua acumulação em
aterro, transformando um problema em solução, melhorando a estrutura do solo, devolvendo
à terra os nutrientes de que necessita, aumentando a sua capacidade de retenção de água,
permitindo o controlo da erosão e evitando o uso de fertilizantes sintéticos. Este processo
permite tratar os resíduos orgânicos domésticos (restos de comida e resíduos de jardim)
bem como os resíduos verdes provenientes da limpeza de jardins e parques públicos.
O processo de compostagem pode ser levado a cabo, em pequena escala, no jardim das
nossas habitações, das nossas escolas, desde que para isso estejam garantidas as condições
necessárias
                                               
A baixa fertilidade dos solos - Tendo em conta que os solos portugueses são muito pobres
em matéria orgânica, a compostagem seria uma forma de os enriquecer. O produto final –
o composto – é um fertilizante orgânico que melhora a textura do solo, combate a erosão,
aumenta a capacidade de armazenamento de água utilizável pelas plantas, diminui a
incidência de doenças e consequentemente reduz o uso de herbicidas e pesticidas. Num
jardim biológico o composto é indispensável, por devolver à terra o que a colheita retirou.

A compostagem doméstica
É a melhor solução para reciclar quase todos os restos de comida, de jardim e da horta, produzidos numa casa ou numa escola, sem recorrer a grandes custos ou manutenção. Mais simples não podia ser. Por isso, pode integrar-se este processo no dia-a-dia da escola, porque vai enriquecer o processo curricular, através de actividades
teóricas e práticas.
O que antes não servia para nada, agora serve para muito, porque os resíduos orgânicos,
se recolhidos seletivamente, de forma a evitar contaminação por substâncias tóxicas,
podem ajudar em muito a Natureza. Através da construção e enchimento de um
compostor, coloca-se a Natureza a trabalhar de forma natural.
Os materiais biodegradáveis são classificados de castanhos ou verdes.

 Os castanhos são os resíduos do jardim já secos, como aparas de madeira, relva e folhas castanhas, palha, feno, serradura e plantas mortas. Estes materiais são ricos em carbono, o constituinte mais abundante na madeira, e pobres em azoto, o constituinte mais
importante das proteínas.

 Os verdes são os restos de comida, vegetais e frutas, folhas verdes, etc., que são muito mais ricos em azoto do que os castanhos.
Num compostor devem-se alternar as camadas de material castanho e verde, sucessivamente. Mas há que ter em atenção, que a última camada tem de ser SEMPRE de material castanho, para minimizar os maus cheiros durante todo o processo.

O processo tem de ter um acompanhamento contínuo, porque a falta ou excesso de água podem atrasar e interferir com os métodos metabólicos que conduzem à compostagem, por isso é conveniente regar e revirar a pilha com alguma regularidade.


Quando o material do compostor ficar com o aspecto de terra escura, sem odor e à temperatura ambiente, o produto final – o composto – está formado. Isto pode demorar
entre 3 e 12 meses.
 O composto antes de ser retirado deverá ser trespassado para remover qualquer elemento que não tenha sido convenientemente transformado.
Mesmo depois de o composto estar finalizado, deverá ficar armazenado umas semanas – até diminuir de volume – para assegurar a obtenção de um produto totalmente estável, que permitirá formar o húmus no solo.

Compostor
Falamos agora do recipiente usado para fazer compostagem.   Deve apresentar muitos
espaços para a circulação do ar, tem de ter uma rede na base para evitar a entrada
de roedores e uma tampa para evitar a entrada em excesso da água quando chove.

O compostor deve ser colocado directamente sobre a terra para facilitar a entrada
dos decompositores (microrganismos, minhocas, etc.) e a absorção de escorrências.
Sempre que possível, o compostor deve ser colocado num local de fácil acesso, com
disponibilidade de água e protegido do excesso de vento, de sol e de chuva.
Capacidade: os compostores precisam, no mínimo, de 0,5 m3 (500 L) de capacidade,
ideal para compostar durante todo o ano.

Sugestão de como construir um compostor com rede de arame e com cartão prensado:
crave quatro estacas na terra e pregue o arame em volta; deixe uma abertura de acesso fácil em cada um dos lados; forre esta estrutura com cartão prensado e tape a parte de cima com um quadrado de carpete ou um saco de plástico.

        Num compostor é importante verificar a facilidade de uso e a durabilidade:
  > Facilidade de uso: facilidade de colocar, virar e remover os materiais. Compostores com grandes aberturas são ideais. Aberturas pequenas na base têm um acesso mais difícil e são mais facilmente danificadas.
 Deve ser colocado num local de fácil acessibilidade, protegido do sol, preferencial-mente debaixo de um árvore caduca que permita a passagem do sol no Inverno e, no Verão, o proteja do calor excessivo.
O recipiente deve também ficar protegido do vento e ser colocado numa área que
permita a infiltração das águas da chuva.

  > Durabilidade: veja a espessura das paredes, se são aparafusadas ou pregadas e
como é pregada a tampa. Algumas madeiras não apodrecem em 15 anos. Compostores de metal enferrujam em poucos anos. Dê preferência a compostores feitos de materiais reciclados.

Materiais que podem ser colocados no compostor:
> Restos de cozinha: legumes, fruta, cascas, cascas de ovos, pão, sacos de chá e
café, arroz, massa, cereais, comida cozinhada e restos vegetais da comida.
> Aparas de jardim: folhas, relva, caules, flores, ramos, palha, feno, aparas de madeira.
> Outros: papel, cartão, palha, madeira não tratada, cinzas.

  -> Evitar: gorduras, lacticínios, carne, peixe e marisco, cinzas em grande quantidade.
  -> Não colocar: pilhas, vidro, metal, plástico, medicamentos, produtos químicos,
têxteis e tintas, excrementos de animais domésticos, plantas doentes, madeiras
tratadas quimicamente, ramos inteiros ou tábuas inteiras.

Composto

Dito de maneira científica, o composto é o resultado da degradação biológica da matéria orgânica, em presença de oxigênio do ar, sob condições controladas pelo homem.
Os produtos do processo de decomposição são: gás carbônico, calor, água e a matéria orgânica "compostada".

O composto é um fertilizante orgânico que:
·         Estimula o desenvolvimento das raízes das plantas, que se tornam mais capazes de
absorver água e nutrientes do solo.
·         Aumenta a capacidade de infiltração de água, reduzindo a erosão.
·         Mantém estáveis a temperatura e os níveis de acidez do solo (pH).
·         Dificulta ou impede a germinação de sementes de plantas invasoras (daninhas).
·         Ativa a vida do solo, favorecendo a reprodução de microrganismos benéficos às culturas agrícolas.
·         Reduz o uso de herbicidas e pesticidas

Exemplos de aplicação de composto pronto
1.    Plantas novas, floreiras e plantas de interior: 1/3 de composto, 1/3 de areia e 1/3 de terra
2.    Relvados, canteiros, árvores e arbustos novos: 1/2 de composto e 1/2 de terra



O que é a agricultura biológica
Consiste no cultivo de produtos vegetais por meio de métodos naturais, sem pesticidas,
nem adubos químicos, evitando a erosão e produz múltiplas variedades de colheitas
de modo a garantir a biodiversidade. Na agricultura biológica são utilizados materiais
e práticas tradicionais e descobertas científicas que permitem manter e promover o
equilíbrio ambiental.

Razões para manter culturas biológicas
> Saúde e segurança – Nos grandes terrenos de cultura intensiva o agricultor está, muitas vezes, exposto a substâncias tóxicas durante a aplicação, armazenamento e eliminação de fertilizantes e pesticidas.  Por isso, os alimentos biológicos, além de não serem produzidos com substâncias químicas, são mais saborosos e nutritivos.

> Poluição do meio ambiente – Os produtos químicos, além de não melhorarem os
alimentos produzidos, também prejudicam seriamente o meio ambiente, porque afetam as linhas de água, o ar e o solo e levam ao desaparecimento da biodiversidade.
Na horta biológica como não se usam este tipo de produtos, estão a contribuir para a conversação do meio ambiente, bem como dos seus recursos naturais.

> Fertilidade do solo – O uso de pesticidas e herbicidas no cultivo tradicional leva à eliminação de organismos benéficos para as plantas e assim conduzem à degradação da estrutura do solo. O solo é o elemento central de todo cultivo, por isso tem de ser preservado e tratado de forma conveniente para que o mesmo não sofra de erosão, nem de esgotamento. A fortificação e fertilização dos solos consegue-se através da incorporação de composto,
rotação de espécies e policulturas, entre outras.

> Um espaço de aprendizagem e lazer – Um espaço onde é desenvolvida uma determinada cultura biológica é o local ideal para observar como vários seres vivos e o ambiente interagem entre si.  Num ecossistema agrícola saudável as interações entre o solo, as plantas e os animais tornam-se perfeitas, porque cada um tem a sua função.
Cuidar de uma horta biológica é trabalhar em prol de um ambiente melhor, é construir laços de amizade e de grupo entre as pessoas. É um ensinamento prático que está ao alcance de todos, novos e menos novos, que tenham a curiosidade de saber e ver como podemos comer melhor e de forma mais saudável.
Consociação de espécies

Na agricultura biológica aconselha-se a criação de talhões heterogéneos em vez
daquelas filas intermináveis de plantas idênticas. Esta técnica envolve habitualmente
a combinação de várias espécies, como vegetais, flores e aromáticas, de acordo com
as suas especificidades. A finalidade deste conceito é atrair organismos auxiliares
que se alimentam de pragas das culturas e portanto sirvam de barreira natural à
propagação dessas mesmas pragas.

Exemplos de consociações: fixação de azoto no solo – milho e feijão (o feijão está
associado a bactérias que fixam azoto no solo, azoto esse que depois é utilizado pelo
milho); benefício da sombra – árvores de fruto e abóbora (a abóbora prefere locais
sombrios).

Adubos verdes
Os adubos verdes são plantas cultivadas para servir como fertilizante. É uma prática
conhecida que visa a manutenção e a melhoria do solo, que consequentemente resulta num aumento dos rendimentos das culturas. As plantas são trituradas e os restos são incorporados superficialmente no solo. A incorporação desta técnica tem efeitos mais imediatos no solo, porque servem de cobertura e protecção do solo contra a erosão, inclusive nas camadas mais profundas, melhorando suas propriedades físicas, químicas e biológicas.

Exemplos de adubos verdes: mostarda, trevo, centeio.

Rotação de culturas

A rotação de culturas consistem em alternar diferentes espécies vegetais, no correr
do tempo, numa mesma área agrícola. As espécies escolhidas devem ter propósitos
de manutenção ou recuperação do meio ambiente. Num mesmo talhão pode ser
empregue no primeiro ano a cultura do centeio, no segundo ano a da alface, no terceiro ano a do alho e assim sucessivamente até se fechar o círculo e voltar ao centeio, cinco a dez anos mais tarde. Nesta altura já terão morrido quaisquer pragas do primeiro ano que precisassem do centeio para se multiplicarem.

Exemplos de rotações de cultura:
 milho precedido de couve; ervilha precedida de cebola.

                                   
Faça você mesmo

Compostagem doméstica

1º. Primeiro escolha o local (nos Açores, onde a chuva é frequente, convém cobrir a sua pilha ou compostor para evitar o excesso de umidade, que atrasará a decomposição)
A pilha deve ser colocada de preferência em cima do solo porque para além de facilitar a drenagem da água facilita a entrada de microrganismos necessita de um compostor, basta ter espaço para amontoar o material a compostar, dando-lhe a forma de uma pilha/pirâmide, com aproximadamente 2m de diâmetro na base e pelo menos 1 m de altura podendo ter no máximo 3m.

2º. Na base da pilha comece por colocar ramos grossos aleatoriamente para promover o arejamento e depois uma camada de 5 a 10 cm de materiais castanhos. Pode adicionar uma mão cheia de terra ou composto pronto (caso já o tenha).

3º. Por cima coloque uma camada de resíduos verdes, que podem, por exemplo, ser resíduos de cozinha ou relva verde.

4º. Cubra com outra camada de resíduos castanhos, mas não deve adicionar mais terra.

5º. Regue cada camada de forma a manter um teor de umidade adequado. Para determinar se o teor de umidade é adequado pode utilizar o “teste esponja” se
espremer uma pequena quantidade de material a compostar deve ficar com a mão úmida, mas não a pingar.

6º. Repita este processo até obter cerca de 1 m de altura (as pilhas devem ter no mínimo 1m, e no máximo 3m). As camadas podem ser todas adicionadas de uma vez ou à medida que os materiais vão ficando disponíveis.

7º. A última camada a adicionar deve ser sempre de resíduos castanhos.
Estes diminuem os problemas de odores e a proliferação de insetos e outros animais indesejáveis.

8º. Pode optar pela pilha revirada ou pela estática. Se não tem pressa em obter composto, pode optar pela pilha estática, vire a pilha quando e se lhe apetecer.
 O composto estará pronto para usar ao fim de seis meses a um ano.

9º. Se pretender obter composto pronto em pouco tempo (3 a 4 semanas) deve ir remexendo e arejando a pilha ao longo desse período. Sempre que revirar o material, cubra a parte de cima da pilha com materiais castanhos. A pilha deve ser virada de 15 em 15 dias começando na 2.ª semana. Poderá usar o composto ao fim de aproximadamente 3 a 4 meses. Se a virar menos frequentemente demorará mais tempo até que o composto esteja pronto a usar.

10º. O composto quando acabado não degrada mais, mesmo depois de revolvido. Os componentes iniciais não são reconhecíveis e o que sobra é uma substância com cheiro a terra semelhante a um solo rico em substâncias orgânicas. O composto pode ser usado em relvados, jardins, quintais, á volta das árvores ou mesmo em plantas envasadas. Quando o composto estiver pronto deve retirá-lo da pilha de compostagem.

11º. Podem usar um crivo para separar o material que ainda não foi degradado.

12º. Deixe o composto repousar 2 a 4 semanas antes da sua aplicação, especialmente em plantas sensíveis. Esta fase de repouso é designada por fase de maturação.

13º. O composto é geralmente aplicado uma vez por ano, na altura das sementeiras. É preferível aplicá-lo na Primavera ou Outono, altura em que o solo se encontra quente.

Problemas na pilha de compostagem: causas possíveis e soluções

           
Problema
Causa possível    
Solução
Processo lento
Demasiados castanhos
Adicione verdes e revire a pilha.
Cheiro a podre
Umidade em excesso
Revire a pilha, adicione materiais secos e porosos como folhas secas, serradura, aparas de madeira ou palha.
Compactação
Revire a pilha ou diminua o seu tamanho.
Evite colocar grandes quantidades de óleos ou cinzas na pilha.
Cheiro a amônia
Demasiados materiais verdes (excesso de azoto)
Adicione materiais castanhos (carbono),
como folhas, aparas de madeira ou palha.
Temperatura muito baixa
Pilha demasiado pequena
Aumente o tamanho da pilha
ou isole-a lateralmente.
Umidade Insuficiente
Adicione água quando revirar ou cubra
a parte superior da pilha.
Arejamento Insuficiente
Revire a pilha.
Falta de materiais verdes
(falta de azoto)
Adicione materiais verdes, como aparas de relva, estrume ou restos  de comida.
Clima frio
Aumente o tamanho da pilha ou isole-a com um material como, por exemplo palha
Temperatura muito alta
Pilha demasiado grande
Diminua o tamanho da pilha.
Arejamento Insuficiente
Revire a pilha.
Pragas
Presença de restos de carne ou
restos de comida com gordura
Retire este tipo de alimentos da pilha e cubra com uma camada de solo, folhas ou serradura, alternativamente revire a pilha para aumentar a temperatura.

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