Compostagem Doméstica
e
horta biológica
ÍNDICE
001.
Conhecer é a melhor forma de aprender
002.
O que é a compostagem?
003.
Razões para compostar
004.
A compostagem doméstica
005.
Compostor
006.
Composto
007.
O que é a agricultura biológica?
7.1 Razões para manter culturas biológicas
7.2 Consociação de espécies
7.3 Adubos verdes
7.4 Rotação de culturas
008.
Faça você mesmo
8.1 Compostagem doméstica
8.2 Horta biológica
Neste
caderno poderá encontrar, nas primeiras páginas, explicações sucintas dos
processos
naturais
que são a compostagem e a horticultura biológica. De seguida, irá encontrar a
sugestão
de actividades que podem ser desenvolvidas dentro ou fora da sala de aula.
Este
documento não é mais que um ponto de partida no desenvolvimento do tema.
Não pretende ser um manual único, nem um
elemento fechado na sua interpretação. Pretende
sim,
abrir novos caminhos, novas pesquisas, novas intuições, que permitam aprender
as
melhores técnicas, teóricas e práticas, sobre a
temática desenvolvida.
O que é compostagem
A compostagem é um processo natural de decomposição biológica de
resíduos orgânicos
que origina um produto estabilizado chamado composto graças à
actividade de seres vivos.
O composto possui muitos nutrientes e é facilmente assimilado pelas
plantas, é útil na
agricultura, jardinagem, parques públicos, etc.
A compostagem é uma forma de eliminar metade do problema dos
Resíduos Sólidos
Urbanos, dando um destino útil aos resíduos orgânicos, evitando a
sua acumulação em
aterro, transformando um problema em solução, melhorando a estrutura
do solo, devolvendo
à terra os nutrientes de que necessita, aumentando a sua capacidade
de retenção de água,
permitindo o controlo da erosão e evitando o uso de fertilizantes
sintéticos. Este processo
permite tratar os resíduos orgânicos domésticos (restos de comida e
resíduos de jardim)
bem como os resíduos verdes provenientes da limpeza de jardins e
parques públicos.
O processo de compostagem pode ser levado a cabo, em pequena escala,
no jardim das
nossas habitações, das nossas escolas, desde que para isso estejam
garantidas as condições
necessárias
A baixa fertilidade dos solos - Tendo em conta que os solos portugueses são
muito pobres
em
matéria orgânica, a compostagem seria uma forma de os enriquecer. O produto
final –
o
composto – é um fertilizante orgânico que melhora a textura do solo, combate a
erosão,
aumenta
a capacidade de armazenamento de água utilizável pelas plantas, diminui a
incidência
de doenças e consequentemente reduz o uso de herbicidas e pesticidas. Num
jardim biológico o composto é indispensável, por devolver à terra o
que a colheita retirou.
A compostagem doméstica
É
a melhor solução para reciclar quase todos os restos de comida, de jardim e da horta,
produzidos numa casa ou numa escola, sem recorrer a grandes custos ou manutenção.
Mais simples não podia ser. Por isso, pode integrar-se este processo no dia-a-dia
da escola, porque vai enriquecer o processo curricular, através de actividades
teóricas e práticas.
O
que antes não servia para nada, agora serve para muito, porque os resíduos
orgânicos,
se
recolhidos seletivamente, de forma a evitar contaminação por substâncias
tóxicas,
podem
ajudar em muito a Natureza. Através da construção e enchimento de um
compostor, coloca-se a Natureza a trabalhar de forma natural.
Os materiais biodegradáveis são classificados de castanhos ou
verdes.
Os
castanhos são os resíduos do jardim já secos, como aparas de madeira, relva
e folhas castanhas, palha, feno, serradura e plantas mortas. Estes materiais
são ricos em carbono, o constituinte mais abundante na madeira, e pobres em
azoto, o constituinte mais
importante
das proteínas.
Os
verdes são os restos de comida, vegetais e frutas, folhas verdes, etc., que
são muito mais ricos em azoto do que os castanhos.
Num
compostor devem-se alternar as camadas de material castanho e verde,
sucessivamente. Mas há que ter em
atenção, que a última camada tem de ser SEMPRE de material castanho, para
minimizar os maus cheiros durante todo o processo.
O
processo tem de ter um acompanhamento contínuo, porque a falta ou excesso de
água podem atrasar e interferir com os métodos metabólicos que conduzem à compostagem,
por isso é conveniente regar e revirar a pilha com alguma regularidade.
Quando
o material do compostor ficar com o aspecto de terra escura, sem odor e à
temperatura ambiente, o produto final – o composto – está formado. Isto pode
demorar
entre 3
e 12 meses.
O composto antes de ser retirado deverá ser
trespassado para remover qualquer elemento que não tenha sido convenientemente
transformado.
Mesmo
depois de o composto estar finalizado, deverá ficar armazenado umas semanas –
até diminuir de volume – para assegurar a obtenção de um produto totalmente
estável, que permitirá formar o húmus no solo.
Compostor
Falamos
agora do recipiente usado para fazer compostagem. Deve apresentar muitos
espaços
para a circulação do ar, tem de ter uma rede na base para evitar a entrada
de
roedores e uma tampa para evitar a entrada em excesso da água quando chove.
O
compostor deve ser colocado directamente sobre a terra para facilitar a entrada
dos
decompositores (microrganismos, minhocas, etc.) e a absorção de escorrências.
Sempre
que possível, o compostor deve ser colocado num local de fácil acesso, com
disponibilidade
de água e protegido do excesso de vento, de sol e de chuva.
Capacidade:
os
compostores precisam, no mínimo, de 0,5 m3 (500 L) de capacidade,
ideal
para compostar durante todo o ano.
Sugestão de como construir um compostor com rede de
arame e com cartão prensado:
crave
quatro estacas na terra e pregue o arame em volta; deixe uma abertura de acesso
fácil em cada um dos lados; forre esta estrutura com cartão prensado e tape a
parte de cima com um quadrado de carpete ou um saco de plástico.
Num
compostor é importante verificar a facilidade de uso e a durabilidade:
> Facilidade
de uso: facilidade de colocar, virar e remover os materiais. Compostores com
grandes aberturas são ideais. Aberturas pequenas na base têm um acesso mais difícil
e são mais facilmente danificadas.
Deve ser colocado num local de fácil
acessibilidade, protegido do sol, preferencial-mente debaixo de um árvore
caduca que permita a passagem do sol no Inverno e, no Verão, o proteja do calor
excessivo.
O recipiente deve
também ficar protegido do vento e ser colocado numa área que
permita a
infiltração das águas da chuva.
> Durabilidade: veja a
espessura das paredes, se são aparafusadas ou pregadas e
como é pregada a
tampa. Algumas madeiras não apodrecem em 15 anos. Compostores de metal
enferrujam em poucos anos. Dê preferência a compostores feitos de materiais
reciclados.
Materiais
que podem ser colocados no compostor:
> Restos de cozinha:
legumes, fruta, cascas, cascas de ovos, pão, sacos de chá e
café,
arroz, massa, cereais, comida cozinhada e restos vegetais da comida.
> Aparas de jardim:
folhas, relva, caules, flores, ramos, palha, feno, aparas de
madeira.
> Outros:
papel, cartão, palha, madeira não tratada, cinzas.
-> Evitar: gorduras, lacticínios, carne,
peixe e marisco, cinzas em grande quantidade.
-> Não
colocar: pilhas, vidro, metal, plástico,
medicamentos, produtos químicos,
têxteis
e tintas, excrementos de animais domésticos, plantas doentes, madeiras
tratadas
quimicamente, ramos inteiros ou tábuas inteiras.
Composto
Dito
de maneira científica, o composto é o resultado da degradação biológica da
matéria orgânica, em presença de oxigênio do ar, sob condições controladas pelo
homem.
Os
produtos do processo de decomposição são: gás carbônico, calor, água e a
matéria orgânica "compostada".
O composto é um fertilizante orgânico que:
·
Estimula o
desenvolvimento das raízes das plantas, que se tornam mais capazes de
absorver
água e nutrientes do solo.
·
Aumenta a capacidade de
infiltração de água, reduzindo a erosão.
·
Mantém estáveis a
temperatura e os níveis de acidez do solo (pH).
·
Dificulta ou impede a
germinação de sementes de plantas invasoras (daninhas).
·
Ativa a vida do solo,
favorecendo a reprodução de microrganismos benéficos às culturas agrícolas.
·
Reduz o uso de herbicidas
e pesticidas
Exemplos
de aplicação de composto pronto
1. Plantas
novas, floreiras e plantas de interior: 1/3 de composto, 1/3 de areia e 1/3 de
terra
2. Relvados,
canteiros, árvores e arbustos novos: 1/2 de composto e 1/2 de terra
O que é a agricultura biológica
Consiste
no cultivo de produtos vegetais por meio de métodos naturais, sem pesticidas,
nem
adubos químicos, evitando a erosão e produz múltiplas variedades de colheitas
de
modo a garantir a biodiversidade. Na agricultura biológica são utilizados
materiais
e
práticas tradicionais e descobertas científicas que permitem manter e promover
o
equilíbrio
ambiental.
Razões para manter culturas biológicas
> Saúde e
segurança – Nos grandes
terrenos de cultura intensiva o agricultor está, muitas vezes, exposto a
substâncias tóxicas durante a aplicação, armazenamento e eliminação de
fertilizantes e pesticidas. Por isso, os
alimentos biológicos, além de não serem produzidos com substâncias químicas,
são mais saborosos e nutritivos.
> Poluição do meio
ambiente – Os produtos
químicos, além de não melhorarem os
alimentos produzidos, também prejudicam seriamente o meio ambiente,
porque afetam as linhas de água, o ar e o solo e levam ao desaparecimento da
biodiversidade.
Na horta biológica como não se usam este tipo de produtos, estão a
contribuir para a conversação do meio ambiente, bem como dos seus recursos
naturais.
> Fertilidade do
solo – O uso de
pesticidas e herbicidas no cultivo tradicional leva à eliminação de organismos
benéficos para as plantas e assim conduzem à degradação da estrutura do solo. O
solo é o elemento central de todo cultivo, por isso tem de ser preservado e
tratado de forma conveniente para que o mesmo não sofra de erosão, nem de
esgotamento. A fortificação e fertilização dos solos consegue-se através da
incorporação de composto,
rotação de espécies e policulturas, entre outras.
> Um espaço de aprendizagem e lazer – Um espaço onde é desenvolvida uma determinada
cultura biológica é o local ideal para observar como vários seres vivos e o
ambiente interagem entre si. Num
ecossistema agrícola saudável as interações entre o solo, as plantas e os
animais tornam-se perfeitas, porque cada um tem a sua função.
Cuidar
de uma horta biológica é trabalhar em prol de um ambiente melhor, é construir
laços de amizade e de grupo entre as pessoas. É um ensinamento prático que está
ao alcance de todos, novos e menos novos, que tenham a curiosidade de saber e
ver como podemos comer melhor e de forma mais saudável.
Consociação de espécies
Na agricultura
biológica aconselha-se a criação de talhões heterogéneos em vez
daquelas filas
intermináveis de plantas idênticas. Esta técnica envolve habitualmente
a combinação de
várias espécies, como vegetais, flores e aromáticas, de acordo com
as suas
especificidades. A finalidade deste conceito é atrair organismos auxiliares
que se alimentam
de pragas das culturas e portanto sirvam de barreira natural à
propagação dessas
mesmas pragas.
Exemplos de consociações: fixação
de azoto no solo – milho e feijão (o feijão está
associado a
bactérias que fixam azoto no solo, azoto esse que depois é utilizado pelo
milho); benefício
da sombra – árvores de fruto e abóbora (a abóbora prefere locais
sombrios).
Adubos verdes
Os adubos verdes
são plantas cultivadas para servir como fertilizante. É uma prática
conhecida que visa
a manutenção e a melhoria do solo, que consequentemente resulta num aumento dos
rendimentos das culturas. As plantas são trituradas e os restos são
incorporados superficialmente no solo. A incorporação desta técnica tem efeitos
mais imediatos no solo, porque servem de cobertura e protecção do solo contra a
erosão, inclusive nas camadas mais profundas, melhorando suas propriedades
físicas, químicas e biológicas.
Exemplos de adubos verdes: mostarda,
trevo, centeio.
Rotação de culturas
A rotação de
culturas consistem em alternar diferentes espécies vegetais, no correr
do tempo, numa
mesma área agrícola. As espécies escolhidas devem ter propósitos
de manutenção ou
recuperação do meio ambiente. Num mesmo talhão pode ser
empregue no
primeiro ano a cultura do centeio, no segundo ano a da alface, no terceiro ano
a do alho e assim sucessivamente até se fechar o círculo e voltar ao centeio,
cinco a dez anos mais tarde. Nesta altura já terão morrido quaisquer pragas do
primeiro ano que precisassem do centeio para se multiplicarem.
Exemplos de rotações de cultura:
milho precedido de couve; ervilha
precedida de cebola.
Faça você mesmo
Compostagem doméstica
1º. Primeiro
escolha o local (nos Açores, onde a chuva é frequente, convém
cobrir a sua pilha ou compostor para evitar o excesso de umidade, que atrasará
a decomposição)
A pilha
deve ser colocada de preferência em cima do solo porque para além de facilitar
a drenagem da água facilita a entrada de microrganismos necessita de um
compostor, basta ter espaço para amontoar o material a compostar, dando-lhe a
forma de uma pilha/pirâmide, com aproximadamente 2m de diâmetro
na base e pelo menos 1 m de altura podendo ter no máximo 3m.
2º. Na
base da pilha comece por colocar ramos grossos aleatoriamente
para promover o arejamento e depois uma
camada de 5 a 10 cm de materiais castanhos. Pode adicionar uma
mão cheia de terra ou composto pronto (caso já o tenha).
3º. Por
cima coloque uma camada de resíduos verdes, que podem, por
exemplo, ser resíduos de cozinha ou relva verde.
4º.
Cubra com outra camada de resíduos castanhos, mas não deve adicionar mais
terra.
5º.
Regue cada camada de forma a manter um teor de umidade adequado.
Para determinar se o teor de umidade é adequado pode utilizar o “teste esponja”
se
espremer
uma pequena quantidade de material a compostar deve ficar com a mão úmida, mas
não a pingar.
6º.
Repita este processo até obter cerca de 1 m de altura (as pilhas devem ter no
mínimo 1m, e no máximo 3m). As camadas podem ser todas adicionadas de uma vez
ou à medida que os materiais vão ficando disponíveis.
7º. A
última camada a adicionar deve ser sempre de resíduos castanhos.
Estes
diminuem os problemas de odores e a proliferação de insetos e outros animais
indesejáveis.
8º.
Pode optar pela pilha revirada ou pela estática. Se
não tem pressa em obter composto, pode optar pela pilha estática, vire
a pilha quando e se lhe apetecer.
O composto estará pronto para usar ao fim de
seis meses a um ano.
9º. Se pretender
obter composto pronto em pouco tempo (3 a 4 semanas) deve ir remexendo e
arejando a pilha ao longo desse período. Sempre que revirar o material, cubra a
parte de cima da pilha com materiais castanhos. A pilha deve ser virada de 15
em 15 dias começando na 2.ª semana. Poderá usar o composto ao fim de
aproximadamente 3 a 4 meses. Se a virar menos frequentemente demorará mais
tempo até que o composto esteja pronto a usar.
10º. O composto
quando acabado não degrada mais, mesmo depois de revolvido. Os componentes
iniciais não são reconhecíveis e o que sobra é uma substância com cheiro a
terra semelhante a um solo rico em substâncias orgânicas. O composto pode ser
usado em relvados, jardins, quintais, á volta das árvores ou mesmo em plantas
envasadas. Quando o composto estiver pronto deve retirá-lo da pilha de
compostagem.
11º. Podem usar um
crivo para separar o material que ainda não foi degradado.
12º. Deixe o
composto repousar 2 a 4 semanas antes da sua aplicação, especialmente em plantas
sensíveis. Esta fase de repouso é designada por fase de maturação.
13º. O composto é
geralmente aplicado uma vez por ano, na altura das sementeiras. É preferível aplicá-lo
na Primavera ou Outono, altura em que o solo se encontra quente.
Problemas
na pilha de compostagem: causas possíveis e soluções
Problema
|
Causa
possível
|
Solução
|
Processo lento
|
Demasiados
castanhos
|
Adicione verdes
e revire a pilha.
|
Cheiro a podre
|
Umidade em
excesso
|
Revire a pilha,
adicione materiais secos e porosos como folhas secas, serradura, aparas de
madeira ou palha.
|
Compactação
|
Revire a pilha
ou diminua o seu tamanho.
Evite colocar
grandes quantidades de óleos ou cinzas na pilha.
|
|
Cheiro a amônia
|
Demasiados
materiais verdes (excesso de azoto)
|
Adicione
materiais castanhos (carbono),
como folhas,
aparas de madeira ou palha.
|
Temperatura muito baixa
|
Pilha demasiado
pequena
|
Aumente o
tamanho da pilha
ou isole-a
lateralmente.
|
Umidade
Insuficiente
|
Adicione água
quando revirar ou cubra
a parte superior
da pilha.
|
|
Arejamento
Insuficiente
|
Revire a pilha.
|
|
Falta de
materiais verdes
(falta de azoto)
|
Adicione
materiais verdes, como aparas de relva, estrume ou restos de comida.
|
|
Clima frio
|
Aumente o
tamanho da pilha ou isole-a com um material como, por exemplo palha
|
|
Temperatura muito alta
|
Pilha demasiado
grande
|
Diminua o
tamanho da pilha.
|
Arejamento
Insuficiente
|
Revire a pilha.
|
|
Pragas
|
Presença de
restos de carne ou
restos de comida
com gordura
|
Retire este tipo
de alimentos da pilha e cubra com uma camada de solo, folhas ou serradura,
alternativamente revire a pilha para aumentar a temperatura.
|


Sem comentários:
Enviar um comentário